Estudo do RISE identifica biomarcador na saliva promissor para deteção precoce de cancro gástrico

Marcador molecular poderá contribuir para uma seleção mais personalizada dos utentes para endoscopia
Um estudo liderado pelo Laboratório Associado RISE, através do Centro de Investigação do IPO-Portoidentificou uma assinatura molecular tecidular para a deteção precoce do cancro gástrico, uma das principais causas de morte por cancro no mundo, e, simultaneamente, demonstrou que um dos genes identificados, SLC5A5, pode também ser detetado na saliva, relevando potencial como biomarcador não invasivo.
Através da participação de 197 doentes, a equipa de investigadores, liderada por Catarina Lopes (CI-IPOP@RISE), destacou que, quando combinado com a idade e o sexo dos participantes, o biomarcador salivar registou uma sensibilidade de 82%, destacando o seu potencial impacto no rastreio, processo em que minimizar os falsos negativos é prioritário.
De acordo com o estudo publicado no United European Gastroenterology Journal, a utilização deste gene poderá ajudar a identificar indivíduos com maior probabilidade de desenvolver lesões gástricas, orientando de forma mais eficiente o recurso à endoscopia.
“Este biomarcador poderá ter um papel importante na identificação de doentes com maior risco de desenvolver lesões gástricas metácronas, isto é, lesões que se desenvolvem após o tratamento da lesão original”, esclarece Catarina Lopes, referindo ainda que “os resultados deste estudo sugerem que a integração de marcadores moleculares poderá permitir uma abordagem mais personalizada, ajustando a intensidade e frequência da vigilância ao risco biológico individual de cada doente”.
Segundo a investigadora do Laboratório Associado RISE, o modelo “pode ter utilidade sobretudo na personalização do seguimento e da estratificação de risco”. “Por sua vez, a deteção de SLC5A5 na saliva poderá, no futuro, integrar um painel mais robusto e não invasivo, capaz de identificar doentes com maior probabilidade de apresentar lesões gástricas ou de beneficiar de vigilância endoscópica mais apertada”, esclarece Catarina Lopes (CI-IPOP@RISE/ICBAS-UP).
A melhoria do diagnóstico do cancro gástrico passa, também, pelo recurso à Inteligência Artificial. “No futuro, a combinação de inteligência artificial, endoscopia avançada e abordagens multi-ómicas poderá contribuir para diagnósticos mais rápidos, precisos e adaptados às características individuais de cada doente. Ainda assim, continua a ser essencial investir em programas de deteção precoce e em estratégias de vigilância mais eficazes, especialmente em populações de risco intermédio, onde o diagnóstico continua muitas vezes a ser feito em fases avançadas da doença”, defende.
No âmbito desta iniciativa, a equipa de investigadores liderada pela investigadora do Laboratório Associado RISE já submeteu, junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, uma patente provisória sob o título “Non-invasive biomarker, method and kit for early detection and surveillance of gastric cancer”.
O artigo “Molecular Traces of Gastric Cancer in Saliva: From Tissue Signatures to Salivary SLC5A5 as a Potential Biomarker” tem Catarina Lopes como primeira autora. Andreia Brandão, Ricardo Küttner-Magalhães, Ricardo Marcos-Pinto, Diogo Libânio, Mário Dinis-Ribeiro e Ana Carina Pereira (CI-IPOP@RISE) também assinam o trabalho científico, a par de outros investigadores nacionais e internacionais.
A iniciativa científica contou com o financiamento da União Europeia, no âmbito do projeto AIDA, e da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).