Bruxismo pode configurar um sinal precoce de risco cardiovascular

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Investigação liderada pelo Laboratório Associado RISE  sugere que o bruxismo pode representar um desequilíbrio no sistema nervoso autónomo, mesmo em pessoas saudáveis.

Um estudo do Laboratório Associado RISE, liderado por Miguel Meira e Cruz (CCUL@RISE/FMUL), identificou aspetos sugestivos de que o comportamento rítmico associado ao apertar e ranger dos dentes, de forma involuntária, pode ser um sinal precoce de disfunção do sistema nervoso autónomo e consequente risco cardiovascular.

“Além da sincronia parcial observada entre alguns episódios de bruxismo do sono e aumentos transitórios da pressão arterial, também é possível que a variabilidade momento a momento da atividade dos músculos mastigatórios ao longo do ciclo de 24 horas contribua para a dinâmica cardiovascular”, pode ler-se no artigo publicado na revista Dental and Medical Problems.

De acordo com os especialistas, nenhum dos 59 jovens adultos saudáveis – sem hipertensão arterial e com bruxismo – que participaram do estudo apresentou o padrão normal de variação da pressão arterial ao longo do dia.

“Os participantes com bruxismo do sono apresentaram pior qualidade do sono, maior gravidade de sintomas de insónia e um comportamento diferente da pressão arterial após as refeições. Já os indivíduos que apertavam predominantemente os dentes durante a manhã revelaram um perfil de pressão arterial mais instável, enquanto aqueles que o faziam sobretudo ao final do dia mostraram um perfil mais rígido e menos adaptável”, explica o investigador do Laboratório Associado RISE, apontando que “o bruxismo pode refletir diferentes mecanismos de funcionamento do organismo e abre caminho para uma classificação eventualmente mais fisiológica e personalizada desta condição”.

“As alterações no sistema nervoso simpático, que regula funções essenciais e involuntárias do organismo, como a pressão arterial, a frequência cardíaca, a respiração e o sono, poderão não se limitar ao momento em que ocorre o bruxismo, prolongando-se durante o dia e influenciar a forma como o organismo regula a pressão arterial”, esclarece.

Por estas características, segundo Miguel Meira e Cruz, investigador do Laboratório Associado RISE e diretor da Unidade de Sono do Centro Cardiovascular da Universidade de Lisboa (CCUL@RISE), o bruxismo “poderá também vir a funcionar como um marcador comportamental de alterações precoces da regulação cardiovascular, traduzindo-se numa grande vantagem clínica, para a prevenção e tratamento precoce ”, recordando que “esta é uma hipótese com base em resultados preliminares que necessitam de validação”.

O artigo “Altered circadian patterns of diurnal blood pressure in clinical phenotypes of bruxism: A pilot study on autonomic imbalance in healthy young adults”  é um trabalho científico desenvolvido por Miguel Meira e Cruz e conta com a coautoria de Sílvia Pereira,  Maria João Rodrigues e David Gozal, investigadores da Universidade de Coimbra e da Marshall University, nos Estados Unidos da América.